Diário Aconcagua Primeira Vez

 

Diário Aconcagua 1999

 

30\01\99 – Onde tudo começou.

A ideia surgiu um ano antes quando estava fazendo um curso de gelo também na Argentina em Bariloche. Foi um curso muito legal onde conheci muitos amigos e aprendi muito sobre as técnicas de gelo no Cerro Tronador.

Estive sozinho, então quando voltei resolvi apresentar a ideia a um par de amigos que em este momento era companheiros de escalada. Minha ideia era fazer algo grande ou com nome para poder dar um impulso em meu currículo. Porque não o Aconcagua? Já trabalhava com trekking, escalava rocha e fazia algumas travessias de montanha na Mantiqueira. E curtia a ideia de começar a mudar para coisas maiores.

Como minha única fonte de renda era os trabalhos que apareciam em feriados à grana era sempre muito curta. Os amigos que convidei estavam em uma situação um pouco melhor porque tinham pelo menos um emprego fixo. Com isso poderiam guardar dinheiro e aproveitar suas férias para encarar o desafio.

O tempo foi passando e com o tempo o único que eu sentia que tinha muita vontade de ir era o Migotto. Ele trabalhava em uma empresa de eletrônica onde era técnico.

Eu continuava com minhas pequenas guiadas e trabalhos de resgate nas provas de enduro Apé que aconteciam nos finais de semana ou feriados.

A Argentina neste período vivia a fantasia do dólar e tudo na Argentina era o dobro que no Brasil. Eu já tinha vivenciado esta situação um ano antes.

O tempo foi passando a data se aproximando e os treinos se intensificando. Mas o dinheiro era curto e começamos a pensar no que faríamos para levantar alguma grana. Surgiram muitas ideias rifas, camisa com assinatura com o seu nome no cume da montanha, busca de patrocínio tudo para arrecadar alguma algo. Na verdade foi tudo um montão de ideia que foram tomando forma e nos aproximaram muito dos verdadeiros amigos que no apoiavam e nos ajudavam de toda forma.

Conseguimos um camará de foto com o Guilherme Stamato na verdade o Migotto conseguiu, pois eu apenas o conhecia dos trabalhos da trilha Brasil.

Mas o mais importante era o equipo que aos pouco fomos comprando eu tinha quase tudo, pois quando sai da empresa que trabalhei no ano anterior comprei um Jipe Toyota, mas como não consegui manter resolvi vende-lo e o dinheiro foi usado para o equipo, curso e viaje de 60 dias no inicio do ano de 1997.

 Tivemos grandes ajuda a Luciene uma grande amiga minha me deu uma barraca da manaslu que estávamos negociando com o pessoal de Curitiba, a outra conseguimos pagar com o dinheiro das rifas. O migotto foi comprando seu equipo também com dificuldade mais ainda trabalha e tinha como fazer divida e pagar com credito.  Digo ainda porque um pouco antes da data da viaje o cara foi e pediu para ser mandado embora de seu trabalho.

Não foi a única loucura que fizemos, pois eu fui até uma agencia bancaria onde ainda tinha uma conta corrente do meu antigo trabalho e saquei um empréstimo de R$ 1000,00 reias. Naquela época muito dinheiro o suficiente para bancar minhas despesas de passagem, permissão para o Parque e estadia em Mendoza. Minha decisão foi simples se der tudo quando eu voltar eu pago.

 E as coisas se deram e estão a caminho da Argentina. Não em um avião em poucas horas de voo e sim em um ônibus da Pluma executivo (para que já viajo sabe o que é o executivo) com 36h até nosso destino Buenos Aires.

 

03\02\99 – No ônibus Caminho a Mendoza. – 23h13mim.

Este é o primeiro dia que escrevo, pois o objetivo de nossa viagem só começa agora.

Estive por duas noites em Buenos Aires uma cidade que me encanta muito porque aqui me sinto em casa pelos amigos que tenho e pelos que continuo fazendo.

Estive com Ana e Cintia amigas que conheci em natal (Rio Grande do Norte) em 98. Ficamos na casa de uma amiga delas Laura uma pessoa super legal que vive com seu irmão que recebeu o apelido de Canilla dado pelo Mauricinho (Migotto).

Como não podia deixar de ser, avisei a todos qual era o apelido (Migotto).

Foram dias muito felizes, pois ter reencontrado Ana foi muito bom. Quando vinha para cá não imaginei que ficaríamos juntos. Foi uma sensação diferente não sei o que sinto agora se é realidade ou se e minha imaginação só sinto encantado por sua energia.

Já sinto saudades dela, mas agora tenho que pensar no Aconcagua e isso também é muito importante para mim.

Amanha estarei em Mendoza devemos ficar só uma noite. Espero chegar logo no parque Aconcagua.

Sinto-me bem, mas minha tosse ainda não sumiu. Tenho sede de conquista espero que nós consigamos nosso objetivo.

 

05\02\99 – Mendoza - 01 h.

Estivemos arrumando nossas mochilas e saco de arrasto para seguir viaje para Puente del Inca. Estou muito cansado hoje, espero ter uma boa noite de sono, pois a viaje só esta começando e preciso estar bem para meu desafio.

Sinto falta da Ana espero voltar logo para Buenos Aires para encontra-la e comemorar juntos nossa conquista.

A única coisa que me preocupa na viaje é a tosse que me incomoda a noite, espero que logo passe. Conversei com minha mãe hoje, está tudo bem lá. Sei que esta preocupada comigo, mais logo eu volto para casa.

 

05\02\99 – Puente del Inca - 23hs.

Finalmente cheguei onde começa a minha aventura, ou melhor, a nossa. Estamos acampados próximos a vilarejo de Puente del Inca. Agora sim, tudo está mais próximo, nosso sonho, nosso objetivo e a nossa sede de cume.

Sinto falta de todos no Brasil, mais alguma coisa mudou minha forma de pensar e sinto muita falta da minha Ana. Estou sempre falando sobre ela com o Migotto (que não aguenta mais escutar) acho que ele não acredita em mim, pois minha fama não é das melhores. Tenho outros planos para minha vida agora.

 

06\02\99 – 1º dia - Confluência Alt. 3368m.

Estamos no 1º acampamento do parque, tudo corre bem até aqui. Amanha devemos ir para Plaza de Mulas (Campo Base).

Ficamos sabendo que já houve quatro mortes na rota normal, esperamos que não haja, mas nem uma. Aparentemente as mortes foram por imprudência.

Torcemos para que o clima continue assim e que melhore nos campos mais altos.

Falamos com quem descia e nos falaram que dois brasileiros já fizeram cume. Esperamos serem os próximos felizardos.

 

07\02\99 – 2º dia – Plaza de Mulas - Campo Base Alt. 4300m

Finalmente chagamos a Plaza de Mulas depois de 9 h de caminhada pelos vale gigantesco que se chama Playa Ancha. Estava realmente muito cansado paramos varias vezes para respirar e retomar o fôlego.

Encontramos com um grupo de Brasileiros, vários cariocas que estão na base. É um lugar muito bonito fica na base da montanha.

Amanha vou dormir o dia inteiro estou muito cansado.

 

08\02\99 – 3º dia – Plaza de Mulas Campo Base Alt. 4300m - 13h10mim.

Como já era previsto não vou fazer nada hoje, alem de descansar muito.

Esta noite tive insônia me sinto bem, minha tosse diminuiu bem estou descansando e me alimentando muito. O migotto também esta legal.

Sinto saudade de todos espero que o clima se mantenha assim pelos próximos dias.

 

09\02\99 – 4º dia – Plaza de Mulas Campo Base Alt. 4300m - 19h50mim.

Hoje foi um daqueles dias cansativos, pois saímos para nossa primeira investida na montanha. Fomos até Plaza Canadá 4900m montamos lá uma barraca é um lugar exposto ao vento. Tivemos que colocar varias pedras para ancorar a barraca.

Subimos em 3h carregados e descemos em 1h.

O migotto teve um pouco de dor de cabeça na volta. Eu estava tão cansado que não conseguia nem falar.

Agora a pouco desceram a um senhor com o Braço quebrado.

É muito desgastante ficar aclimatando, pois a comida não ajuda e não tem muita coisa para fazer a não ser ler, escutar musica dormir e observar a montanha.

 

10\02\99 – 5º dia – Plaza de Mulas Campo Base Alt. 4300m - 12h58mim

Estamos em mulas para descansar e aclimatar. Amanha seguiremos com nossa progressão rumo ao cume do Aconcagua.

Devemos mudar para Canadá amanha onde já temos uma barraca nossa que transportamos ontem com parte do equipamento.

Hoje tomei um banho daqueles de gato estou bem aclimatado para esta altitude. Espero continuar assim minha perspectiva é de fazer o cume no dia 17 uma quarta feira de cinza. Torço para que de tudo certo.

Quero voltar logo para casa ou para Buenos Aires para encontrar com Ana sinto sua falta.

 

11\02\99 – 6º dia – Plaza Canadá Alt. 4900m - 18h43mim

Deu tudo certo até agora estamos a 4900m na Plaza Canadá. Chegamos bem cansados aqui, pelas mochilas carregadas e pela falta de ar.

O clima que esteve bom durante estes 04 dias, agora comoça a mudar, sopra um vento muito forte em rajadas. Ficamos preocupados e atento com as amaras da barraca. 

A temperatura também hoje deve cair, pois estamos em um lugar muito mais exposto que Plaza de mulas. Em Mulas a temperatura acredito que nunca chegou próximo a zero durante a noite, mais durante o dia deve ter rodeado os 40º um calor sufocante que ajuda em nosso desgaste.

Às vezes sinto vontade de ir embora pelo cansaço ser muito grande, mais me recordo de tudo o que passei para chegar aqui, e de todos que me apoiaram isso me renova a energia e prossigo.

Foi um ano de preparação com muito pouco apoio financeiro. Nos treinamos juntos na rua com a ajuda de alguns amigos que nos preparam para as dificuldades físicas, psicológicas, medicas. O Dr. Cachorrão (Marcio R. Martins) foi o responsável em nos instruir com seus conhecimentos médicos de primeiros socorros em alguns momentos livre de sua residência. O Rodrigo amigo do Migotto nos ajudou nos treinos físicos nos apoiando e nos controlando quando tinha tempo livre. E o Psicológico veio de nossos amigos que nos motivavam para que não abandonássemos a ideia.

Hoje mas dois Brasileiros que conhecemos na base desistiram era os cariocas Fernando e Marcelo deve voltar para casa. O Fernando por problemas de aclimatação (pobre desde dia que chegamos ele reclama de muita dor de cabeça) outro por tentar uma subida rápida teve um principio de congelamento nos pés.  

Torço para conseguirmos alcançar nosso objetivo, mais quero que corra tudo bem comigo e com o Migotto na volta.

 

12\02\99 – 7º dia – Plaza Canadá Alt. 4900m - 14h37mim

Estou descansando na barraca o clima piorou esta noite. Ventou muito e a temperatura cauí para -15º graus. Foi uma noite fria e barulhenta pelo vento na tela da barraca. Mesmo assim estamos nos sentindo bem. Acabemos de comer uma macarronada com purê e estamos descansando agora.

Os nossos planos para amanha será levar nossa barraca II para Nido de Condores que esta a 5350m. Isso se o clima nos permitir e nos ajudar porque já nevou hoje mais de três vezes hoje. O suficiente para nos preocupar. Aqui neste acampamento vamos manter a barraca I por segurança. No caso de não conseguir se aclimatar bem voltamos para baixo apenas com nossas bolsa de dormir.

Esta noite tive vários pesadelos com relação a esta viaje não os entendi direito. Espero que esteja tudo bem em casa.

Sinto saudades!! Quero voltar logo para Buenos Aires para encontrar com a Ana. Sinto sua falta, todos os dias vejo sua foto. (presente de Cintia). Isso me deixa mais bobo ainda.

 

13\02\99 – 8º dia – Plaza Canadá Alt. 4900m - 18h34mim

A noite passada foi daquelas (Puks), pois ventou e nevou muito a temperatura chegou a -16º negativos. Dentro da barraca tudo congelou inclusive nossa respiração que condensou nas paredes e no teto provocando com o vento a caída de gelo em nossas bolsas de dormir. Um pouco, mas tarde o vento diminuiu e tudo ficou, mas calmo apesar do frio.

Durante a manha saímos em direção a Nido de Condores a 5350m. Fizemos em um tempo bom em duas horas e meia com parte de nosso equipamento. Montamos uma barraca II lá e deixamos parte do equipo que levamos alem de comida para os próximos dias. Voltamos em apenas uma hora ou menos.

Tivemos que passar por uns manchões de neve sem crampons, mais sem problemas.

Agora estamos descansando e amanha faremos a mudança para Nido.

Nosso plano será manter uma barraca I no acampamento Plaza Canadá 5900m para o caso de uma emergência. Vai dar tudo certo se Deus quiser.

 

14\02\99 – 9º dia – Nido de Condores Alt. 5350m - 19h30mim

As coisas estão frias por aqui, hoje vai ser nossa primeira noite em Nido a 5350m por enquanto esta tudo bem comigo e com o Migotto (Mauricinho). Ele esta derretendo neve e gelo porque aqui não temos água, a única forma de consegui lá é derretendo gelo.

Esta noite espero ter uma noite boa, ontem sonhei com a Lú e com a Andreia um sonho meio loco. Sinto saudades de todos principalmente do Vinicius. Ele deve estar aprontando as suas como sempre.

Eu estou nesta fria e a Adriana na Bahia diferença mais loca. Espero que de tudo certo na sua viaje ela merece ser muito feliz. Mais não vou negar a minha maior saudade é da Ana, gostaria de poder estar com ela agora, até sinto seu rostinho macio. Mas logo estarei lá e depois em casa no Brasil, esta viagem não será a ultima conquista que terei.

Espero estar logo no topo desta montanha para poder seguir destino a minha vida. “Vitoria Brasil”.

 

15\02\99 – 10º dia – Nido de Condores Alt. 5350m - 17h00mim

Sigo derretendo gelo para fazer água não tem outra forma de conseguir. Este processo leva muito tempo, temos que colocar a neve sempre com um pouco de água na panela para que a neve não se evapore.

O Mauricinho esta dormindo, pois acho que ele sentiu mas do que eu a pressão dos 5.950m do acampamento Berlin onde tivemos esta manha.

Sinto-me meio sonolento, mais bem. Esta quase tudo pronto para o grande dia espero que de tudo certo.

Hoje encontramos os Brasileiros de Porto Alegre deixando seu objetivo, apenas um do grupo conseguiu fazer o cume. Falamos com eles de longe, pois nos subíamos por uma trilha mais suave e eles desciam por uma mais empinada em direção à base (Mulas). Quando voltamos para a barraca em Nido encontramos um monte de coisas que eles haviam deixado para nos. Tinha muitas coisas que eles trouxeram do Brasil para usar na montanha e agora como estavam indo embora deixam para nos poder usar na montanha. (doces, sopas, combustível, etc.). Também deixaram uma garrafa de combustível vazia com escrita “nos desejavam sorte em nossa escalada”.

Foi uma pena só um de eles ter conseguido fazer o cume me parecia que estavam fazendo uma boa aclimatação. Só tardaram muito em Berlin não me parece um lugar para passar mais que uma noite.

Bom depois de amanha é nossa vez. Vamos tentar com a força que temos, mas ajuda de Deus.

Com o apoio de nossos amigos que nos desejaram muita sorte.

 

16\02\99 – 11º dia – Nido de Condores Alt. 5350m - 15h50mim

Estamos aqui derretendo água para variar um pouco. Fizemos algumas fotos e descansamos muito. Estamos ansiosos pelo dia de amanha. 

Começa de madrugada espero que o clima nos ajude, até agora ele se manteve lindo esperamos que continue assim.

Quero deixar bem claro que estou fazendo isso de livre espontânea vontade. Que qualquer coisa que aconteça comigo foi porque Deus quis assim. Quero deixa bem claro que estou fazendo isso de livre e espontânea vontade, que caso aconteça algo comigo foi por que teria que ser assim e que Deus quis.

Que vejam minhas fotos e se lembrem de mim como um grande aventureiro.

Beijos e abraços a todos com saudades.

 

17\02\99 – 12º dia – Nido de Condores – Ataque ao Cume 15h

Começamos nosso ataque de madrugada por volta das 3h da manha. Estava uns -7 graus dentro da barraca, mas mesmo assim prosseguimos até Berlin aonde chegamos às 5h, chegamos e passamos e continuamos a subir.

Em determinado meio que perdemos a trilha marcada entre as pedras e começamos a buscar por onde seguir. Neste momento apareceram algumas luzes começaram a piscar em nossa direção. Eu na hora fiquei pensão o que poderia ser em seguida o Migotto gritou perguntando se o caminho era esse. Como não obteve resposta e falou mal (Xingou) não me lembro de o que foi que disse. Mas as luzes se apagaram em seguida sumiu todo. Neste momento me veio à cabeça os companheiros que tinham morrido na montanha no ano anterior. (Mozart Catão, Alexandre e Otho). E em pensamento pedi se fossem eles que voltassem à luz. Não deu tempo para parar de pesar e as luzes se acenderam. Quase não contive minha emoção e me larguei a chorar ali mesmo.

Sai seguindo a direção de onde vinha as luz ignorando as perguntas que me fazia o Migotto. (Para onde você vai? Você achou a trilha?) Só achei que era algo para nos orientar naquele momento.

Depois de algum tempo chegamos a uma parede de pedra bem grande de onde víamos as luzes. Não havia ninguém ali, mais a partir deste ponto voltamos a encontrar a trilha.

Continuamos subindo e quando começou a amanhecer começamos ver outros escaladores que também estava indo em direção ao cume. Vinha de outras rotas da montanha, da falsa polacos uma travessia que se entra pelo vale das Vacas pelo outro vale do Aconcagua.

Em vários momentos parávamos para fazer algumas fotos e admirar a beleza desta montanha. O céu estava todo rosado. Era tudo novo para-nos, estávamos já muito cansados e torcendo para que o sol apareça para nos dar alguma sensação de calor.

Tivemos que usar os crampons a partir de abrigo independência 6400m existia ali uma parede de gelo que necessitaríamos traspor. Depois entramos na travessia que liga a Canaleta a 6750 m o trecho, mas empinado de nossa escalada (entre 65º e 70º de inclinação).

Era uma subida muito forte e difícil de caminhar pela inclinação. Em alguns momentos achava que não iria conseguir o cansaço era muito grande junto com a falta de ar.

Saímos de Nido de Condores 5350m por não estar seguro em nossos equipamentos (saco de dormir e roupas térmicas) seriam suficientes para suportar a noite fria de Berlin 6950m e agora estávamos pagando o preço da distancia e elevação percorrida. As pessoas que saíram de Berlin a 5950m nos passavam como se estivéssemos parados. Ouve um momento que tive que gritar para o migotto, pois ele estava seguindo a um andinista que andava forte e não fazia os zig-zag nos trecho, mas forte. Ele estava se cansando e não se dava conta disso. A esta altura tudo tem que ser, mas lento já estávamos caminhando á muito tempo estávamos muito cansados e sentindo os efeitos da altura.

No final da travessia entramos na famosa canaleta lugar onde muito desistem e alguns perderam a vida por ficar descansando muito tempo e tiveram hipotermia. Tudo ia bem apesar do cansaço em momentos eu ia à frente e puxava o ritmo em outro o Migotto assumi e eu o seguia. Em um destes momentos em que o Migotto estava na frente, o gelo cedeu abaixo de seus pés e ele se desequilibrou caindo em minha direção em velocidade impressionante. Com o contato de sua roupa na neve a velocidade só aumentou por sorte tínhamos praticado a manobra de freio com o piolet e ele conseguiu de ter a queda uns 10 metros mais abaixo de onde eu estava. A cor que tinha era muito similar com a neve que o tapava no piso. A única coisa que me disse foi “o Pior não é Cair o Pior é ter voltar a subir o que eu já tinha subido”.

E tudo deu certo a as 16h chegamos ao cume das Américas, foram mais de 13 h de subida com trechos muito difíceis. Mais estávamos aqui, fizemos nossa festa de sonho realizado, muitas fotos e abraços. Eu também tinha levado um gravador para o cume onde gravei a emoção do Migotto.

O Migotto não se conteve e chorou de emoção agradeceu aos amigos que nos apoiaram e a deus por iluminar nosso caminho até o cume. Eu estava super feliz, mas não me emocionei tanto como ele. Estava preocupado com nosso retorno, pois estávamos muito cansados e tinha um pensamento fixo na nossa segurança na descida.

Estivemos lá no cume quase uns 40 mim tempo suficiente para tirar muitas fotos e contemplar a beleza das montanhas próximas. Conseguimos uma boa foto os dois juntos, pois chegaram pelo outro lado da montanha dois escaladores e pedimos para que nos tira-se a foto de cume.

Como eu previa a descida foi complicada, pois estávamos muito cansados e tínhamos gastado toda a energia na subida. O Migotto estava com as penas bambas tendo caído varias vezes no percurso de descida. Em um das quedas fiquei de longe olhando para ver se ele se levantava, pensei que tinha se machucado feio neste tombo.

Mais afinal chegamos à barraca em Nido completamente acabados, descemos em 3.5h, mas felizes por ter conseguido fazer o cume desta montanha. Quando chegamos próximo à barraca se tiramos no piso mesmo com neve para poder descansar um pouco antes de abri-la. Em uns minutos fui rastejando até o zíper e abri e comecei a me organizar para entrar. Tínhamos deixado às coisas todas soltas na barraca fogareiro, comida, etc. não tinha vontade de comer e muito menos de cozinhar nada. Também não tínhamos mais água a única coisa que queríamos era dormir.

Entrei e me acomodei do jeito que dava, não consegui tirar nem a bota dupla. Depois de passados alguns minutos. Não sei quanto! Lembrei-me de meu amigo de escalada que não estava dentro da barraca. Comecei a chama-lo e nada de obter resposta. Então com enorme esforço me aproximei da porta e vi que ele continuava no mesmo lugar que tinha chegado. Apoiado na mochila sentado na neve mais dormindo como se fosse criança. Voltei a gritar para ele, como não me respondeu agarrei uma garrafa de plástico com um pouco de combustível e atire nele. Só assim consegui desperto-ló e veio para a barraca se abrigar do frio que já voltava com o por do sol.

 

18\02\99 – 13º dia – Nido de Condores –Canadá - Mulas

Depois da conquista sofrida do cume seguíamos no dia seguinte meio que adormecidos, muito cansado. Mas com o objetivo de baixar para Plaza de Mulas, fazendo a limpeza de todo nosso equipo que estava neste campo e no campo de Plaza Canadá. Descemos pesados apesar de ser descida estávamos com pelo menos uns 20 kg nas costas cada um.

Tudo correu bem e chegamos a Plaza de mulas e montamos nossa barraca.  E tudo era motivo para risos, pois tínhamos completado no objetivo. Descasamos a tarde toda, e a noite festejamos tomando cerveja com alguns amigos que tínhamos feito na montanha. Entre eles estavam os Canadenses, os Poloneses, os guarda Parques Argentinos e o Australiano (solo) que não fez cume. Acredito que foi a conta de cerveja mais alta que já paguei na minha vida. Imagina valores em dólares no acampamento base do Aconcagua, não me lembro do valor, mas me lembro de que foi muito caro.

Fomos dormir bêbados e ainda muito cansados da nossa conquista no dia anterior.

 

19\02\99 – 14º dia – Mulas – Puente del Inca

 

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